QUANTO DURAM OS COMPONENTES DO SISTEMA DE FREIO?

As peças que compõem o sistema de freio apresentam graus de desgaste diferentes
conforme suas funções. Portanto, a vida útil dos freios é dividida entre os componentes.
Podemos resumir que você poderá em média rodar 10 mil quilômetros sem precisar fazer
nenhuma alteração ou manutenção no sistema de freio. Existem algumas partes que
quase não precisam de manutenção e outras que precisam de trocas regulares.

Atenção: Os componentes dos sistemas de freios são bem parecidos, salvo o mecanismo
instalado nas rodas e o tipo de pressurização. Por isso vamos descrever as peças
fundamentais e no item 4 explicaremos cada tipo com detalhe.

a) Pedal de Freio:
O pedal é a superfície do sistema de freio, a única parte que entra em contato com o
motorista. Ao pressionar o pedal, o sistema é acionado. O ideal é que com um leve toque
você já consiga parar o carro completamente. É uma parte em que se faz tunagem com
certa frequência pois é bastante customizável e não sai caro.

Vida útil do pedal:
O pedal não costuma dar problemas, mesmo com o passar do tempo. Normalmente, as
anomalias em pedais estão ligadas a defeitos em outra parte do sistema de freio – como
veremos no item 6. Resumindo: esses pedais não têm validade.

b) Cilindro Mestre do Freio:
É composto por um cilindro, um grupo de válvulas e borrachas. O cilindro mestre
abastece o sistema com o fluido do reservatório, assim que o pedal é acionado. É esse
fluido que vai gerar a pressão hidráulica do sistema. O cilindro transforma pressão
mecânica em hidráulica.

Vida útil do cilindro mestre:
A vida útil do cilindro é de mais ou menos 100 mil quilômetros. Você pode ter que trocar
antes caso a manutenção não seja feita corretamente – o que significa basicamente trocar
o fluido de freio a cada 10 mil quilômetros. Quando a troca não é feita, o fluido vencido –
ou contaminado – corrói a parte interna do cilindro (válvulas e borrachas). Se esse
problema acontecer, você vai sentir diferença no freio, o pedal fica mais baixo.

c) Fluído de Freio:
Esse liquido é o que faz com que todo o sistema hidráulico funcione. Ele fica em um
reservatório encima do cilindro mestre.

Vida útil do fluído de freio:
O fluido de freio não deve ser completado. Se o nível baixar é porque existe algum
vazamento. O principal problema com fluido é o vencimento e a contaminação por água.Isso reduz a capacidade de frenagem. Por isso é importante fazer a troca a cada 10 mil
quilômetros, ou a cada 2 anos, se não atingir essa quilometragem.

d) Canos e Mangueiras do Freio:
Os canos e as mangueiras são os dutos que levam o fluido do cilindro às rodas. Existem
dois tipos, os flexíveis e os rígidos. Os flexíveis são os canos de cobre e os rígidos são as
mangueiras que ficam próximas às rodas.

Vida útil dos canos e mangueiras:
Não existe uma média de vida útil. No entanto, eles precisam ser checados em todas as
revisões. Os condutores não podem romper, ou você ficará sem freio. Neste caso, troque
a peça imediatamente.
Dica: A troca regular de fluido (a cada 10 mil quilômetros) diminui a chance de
rompimentos.

e) Servo Freio (Freio a Vácuo):
É a peça que auxilia a atuação do freio – só existe no modelo a tambor e no geral já vem
com ele. Potencializa a força empregada no pedal e distribui para o sistema. É por isso
que um simples toque do pedal tem a capacidade de parar um carro que pesa toneladas,
em alta velocidade. Facilita a vida do condutor diminuindo o esforço ao pressionar o
pedal. O servo funciona a partir do vácuo gerado quando o motor está funcionando. Por
esse motivo que o pedal fica travado quando o carro está desligado.

Vida útil do servo freio:
É evidente quando o servo freio está com defeito – os pedais ficam enrijecidos.
Provavelmente terá que fazer a troca porque essa é uma peça que não passa por
manutenção. Para evitar que chegue a isso, faça uma revisão no servo entre 120 e 200
mil quilômetros. Essa é a média de vida útil, mas a peça só deve ser trocada se estiver
com defeito.

f) Lonas:
Presentes somente no modelo tambor, têm o objetivo de fazer atrito entre as rodas
traseiras e os tambores. Também travam o carro quando o freio de mão é acionado.

Vida útil das lonas de freio:
Depende muito dos hábitos de uso mas as lonas costumam durar mais que as pastilhas.
Isso porque o freio traseiro precisa fazer menos esforço. Costumam passar dos 50 mil
quilômetros facilmente.

g) Tambores:
É uma peça que lembra uma panela. Ela normalmente está nas rodas traseiras ao redor das lonas de freio. Quando você aciona o freio, as lonas se expandem para as
extremidades, tocando o tambor e parando as rodas.

Vida útil dos tambores:
Não é uma peça que dá muito problema. Não possui prazo de troca. Caso fique
desgastada, é possível fazer uma retifica – sempre respeitando a espessura mínima
indicada pela montadora no manual.

h) Pastilha de Freio:
São as peças que entram em atrito com o disco quando você aciona o sistema. Presentes
somente na parte dianteira da maioria dos carros.

Vida útil das pastilhas de freio:
A vida útil vai depender dos hábitos de uso do motorista. Quem anda muito na cidade
costuma frear mais, então as peças tendem a durar menos. Quando gastas, o carro
apresenta dificuldade para frear e o motorista sente a diferença no pedal.
Costumam ser trocadas com menos de 20 mil quilômetros.

i) Disco de Freio:
É a peça em formato de disco que fica nas rodas e entra em contato com as pastilhas
para frear o carro.

Vida útil dos discos de freio:
Também não tem um prazo para troca. Quando os discos estão gastos, quebrados, tortos
ou trincados, você tem a possibilidade de trocar ou retificar a peça. Para a retifica, vale a
pena verificar a espessura mínima indicada pelo fabricante. Discos danificados causam
trepidações na hora de frear.

j) Sistema de Freio ABS:
O Sistema de Travagem Anti-Bloqueio (ABS em inglês) é um mecanismo de segurança
para o motorista. Ele evita que as rodas travem em uma direção quando o freio é
acionado. Assim, o veículo mantém a tração em contato com o solo e o carro não derrapa
nem capota. Dessa forma, além de frear, é possível desviar de obstáculos. O sistema é
gerenciado por uma central eletrônica. Cada roda possui um conjunto de sensores que
monitoram sua velocidade e comparam a do carro. Em caso de frenagem, o sistema
detecta as diferenças entre as rodas e libera o freio e o pressiona novamente milésimos
de segundos depois.

O ABS diminui a distância e o tempo de parada. Por isso as chances do carro derrapar e
causar um acidente são menores. Isso em si já é uma enorme vantagem. Outra vantagem
é a possibilidade desviar e fazer curvas enquanto freia. Em freios sem o sistema, as rodas
travam em linha reta e tendem a permanecer deslizando para frente.

k) Adicionais de Freio:
Existem alguns equipamentos auxiliares que ajudam na melhoria da performance do
conjunto. A desvantagem de todos é o custo. A cada sistema que você adiciona, é
somado o custo de instalação e manutenção.

I. Sistema de Freio BAS:
Também chamado de AFU, BA, EBA e PBA, esse é o servo freio do sistema a disco. O
BAS (Brake Assist System) atua em situações de emergência aplicando força total nos
freios.

Vantagem: Ajuda o motorista a parar com segurança. Diminui o esforço necessário para
pressionar o pedal ao mesmo tempo que aumenta a pressão do sistema.

II. Sistema de Freio EBD
Também chamado de REF (Repartidor Eletrônico de Frenagem), o EBD (Eletronic Brake
Distribution) é um sistema que trabalha em conjunto com o ABS. Ele conta com uma
válvula sensível à carga que atua no eixo traseiro do carro. Essa válvula ajuda no controle
das rodas distribuindo a força empregada nelas. Isso faz com que cada roda receba uma
intensidade de frenagem diferente de acordo com o peso e comportamento.
Vantagens: Quando o veículo está pesado – cheio de passageiros ou bagagens -, a
tendência é perder a estabilidade em um momento de frenagem. Com o EBD, a força de
frenagem é dividida entre as rodas, evitando acidentes.
Além desses equipamentos, existem outros sistemas de segurança que estabilizam o
carro em situações estremas e atuam em conjunto com o ABS.

3. TIPOS DE FREIO: COMO FUNCIONAM E QUAL É MELHOR?

Como mencionamos anteriormente, vamos falar sobre os diferentes mecanismos de freio
neste item. Os principais tipos são os a disco, a tambor e a ar. Cada um possui vantagens
e desvantagens para o uso que justificam em quais tipos de veículos estão e como são
instalados:

a) Freio a Ar
O freio dos trens e caminhões atuais – suporta cargas maiores. Funciona gerando
mudanças na pressão do ar dentro do cilindro de freio. Neste cilindro existe um pistão que
usa a força do ar para mover uma haste. Esta por sua vez é fixa nas sapatas. Quando
você aciona o sistema, o ar é pressionado no cilindro. Isso faz com que o pistão transfira
a força para a haste. Os movimentos da haste fazem com que as sapatas sejam
pressionadas para a roda, gerando o atrito que para o carro.

Vantagens: É mais seguro. Nos sistemas hidráulicos, se ocorrer algum vazamento, você
poderá perder todo o fluido de freio. Isso deixa o carro totalmente sem freio. Já aqui se

Desvantagens: São mais caros e exigem mais manutenção que os demais.

 

b) Freio a Tambor:
O freio a tambor é semelhante ao anterior. A diferença é que ao invés de usar pressão de
ar, ele usa de óleo. O movimento da haste faz com que as lonas se espalhem gerando
fricção no tambor que fica ao seu redor girando. Quando as lonas encostam no tambor,
ele para de girar ou sofre um retardamento. Como ele está conectado a roda, ela também
para. Normalmente é instalado na parte traseira dos carros por ser menos eficiente.

Vantagens: As vantagens são o menor custo por peça, a flexibilidade de transformar em
freio a vácuo, e a facilidade em inserir o sistema de freio de estacionamento (freio de
mão).
Desvantagens: São mais sensíveis e exigem troca constante. Também são mais fracos
que os freios a disco. Por esse motivo foram substituídos na maioria dos carros. Eles
podem sofrer dilatação térmica – que faz os tambores aumentarem de tamanho – o que
exige mais esforço ao acionar o pedal. Possuem baixa dissipação de energia absorvida –
o sistema não tem refrigeração. Por fim também acumula sujeira no compartimento do
tambor. Isso tudo faz com que a capacidade de frenagem diminua.

c) Freio a Disco:
Esses funcionam por meio de um sistema hidráulico parecido com o a tambor. Quando
você pisa no pedal, o fluido de freio – no interior do cilindro – é pressionado. Essa pressão
passa do cilindro para as pastilhas de freio por meio de tubulações. Ao receberem a
pressão, as pastilhas são empurradas contra o disco, que está conectado as rodas.
Quando sofre o atrito das pastilhas, para de girar e trava as rodas também.

Vantagens: Esse modelo supre as desvantagens do freio a tambor: dissipa melhor a
energia absorvida – porque fica exposto ao ar -, não acumula sujeira, não intensifica o
esforço no pedal por conta da dilatação. Não só isso, o sistema de dutos e pinças que
acionam as pastilhas distribuem melhor a pressão transferido ao disco. Isso reduz o
desgaste das pastilhas. A montagem e manutenção também são mais simples.

Desvantagens: Tem um custo elevado e não possui o efeito do servo freio.

 

4. PROBLEMAS FREQUENTES COM OS FREIOS

a) Ruído:
Esse é um dos sintomas mais comuns. Acontece quando as pastilhas – nos freios a disco,
ou as lonas – nos freios a tambor-, estão desgastadas e finas demais (ou são de má
qualidade e muito duras). Preste muita atenção nisso! Pastilhas duras diminuem a vida útil
dos discos, provocando desgaste desnecessário.

**Solução:**Troque as peças.

b) Trepidação ao frear:
Definitivamente não é para o carro trepidar. Esse sintoma pode ser causado tanto por
problemas no sistema de freio, como na suspensão e/ou nos rolamentos das rodas.
Experimente Sherlocar para avaliar melhor. Independentemente de onde for, precisa ser
corrigido para evitar danos maiores ao carro. Quando o defeito é no freio, normalmente é
devido aos tambores ou discos de freio empenarem ou se desgastarem mais que
recomendado. Eles tendem a empenar quando estão finos demais ou quando o material
não é de qualidade.

Atenção:Você até pode rodar com o pedal trepidando. Isso não vai prejudicar o carro a
curto prazo. No entanto, pode a qualquer momento danificar outras peças do sistema de
freio e até perder a capacidade de frenagem em situações emergenciais.
Solução: O ideal é fazer um diagnóstico mais detalhado. Se o problema for nas peças,
terá que trocá-las.

c) Desconforto nos pedais:
Esse desconforto ao acionar os pedais – o “pedal duro” pode ser sintoma de diversas
falhas:

  • o material das pastilhas pode ser de baixa qualidade;
  • o servo freio pode estar com vazamento;
  • ou o fluido de freio pode estar vazando (neste caso, você sentirá que o sistema de freio
  • está demorando para responder ao acionamento do pedal);
  • ar no circuito hidráulico;
  • folga excessiva entre o pedal e a haste; e
  • lonas desreguladas.

Solução: Dependendo da origem do problema, substitua as peças com problema, regule
as lonas de acordo com as orientações da montadora, corrija as folgas e faça a sangria
do sistema de freio.

d) Luz no painel:
Esse é um alerta. Alguns carros possuem uma luz no painel que ascende quando a
pastilha está desgastada.
Solução: Não hesite em substituir a peça.

e) Fluído de Freio:
O fluído de freio é indispensável para o processo de frenagem. Pode ser um composto
sintético ou semissintético, o importante é ter a capacidade de não ser comprimido e de
absorver água. O liquido também atua como lubrificante e previne a corrosão das peças.
Os problemas mais comuns são:

Nível Baixo do Fluido de Freio:O fluido não age como os outros líquidos do carro, como o óleo do motor, não é normal
ele abaixar!
Solução: Se isso acontecer, não complete! Procure por vazamentos e rachaduras e
depois de resolver o problema, troque o líquido todo. O nível do liquido deve estar entre o
mínimo e o máximo no reservatório próximo ao motor. Se misturar fluido velho com o novo
irá comprometer a vida útil e desperdiçar dinheiro.

Água no Fluído de Freio: Uma das funções do fluido de freio é absorver a umidade do ar e
eliminar a água. Se acumular água, o fluído perderá a eficiência, o que compromete a sua
segurança. O maior sintoma desse problema é a sensação de que o pedal está elástico.
Atenção: A água pode oxigenar os componentes, podendo entupir ou até romper o
sistema de freios!
Solução: Trocar todo o fluído.

f) Estalo ao Pisar no Freio
Esse é um diagnóstico mais complicado. Envolve muitas possibilidades de problemas:

  • as pastilhas podem estar sem molas;
  • os pinos de freio podem estar com folga;
  • as buchas das bandejas estouradas;
  • as buchas da barra estabilizadora soltas; e
  • a torre do amortecedor pode estar solta.

E esses são apenas os mais comuns.

Está em dúvida se precisa deste serviço? Use o Sherlocar, a ferramenta de diagnóstico
online que te ajuda a descobrir o problema do seu carro.

5. RECOMENDAÇÕES
Apesar do sistema de freio ser o responsável pela frenagem, manter o resto do carro em
boas condições influencia todo o processo. O estado das válvulas, dos pneus, das
mangueiras, do sistema de suspensão é muito importante para uma frenagem perfeita.
Por isso, o carro deve ser revisado no mínimo a cada 10 mil quilômetros ou uma vez ao
ano.

O solo também interfere na frenagem. Se um carro é feito para transitar na cidade, a sua
frenagem não será tão eficiente em estradas de terra.

Gostou desse conteúdo? compartilhe!

Para mais novidades, acompanhe nossas publicações no blog.