A norma ABNT 15.759, cujo texto está em vigor desde 16 de julho de 2011, estabelece que se o veículo atingiu a quilometragem para a substituição da correia de sincronismo, conforme especificado no manual de reparo do fabricante do veículo, os demais componentes do sistema devem ser substituídos de forma preventiva, independentemente da condição. Esses componentes seriam os tensores (ou “tensionadores”, como está no texto), rolamentos-guia e de apoio e, até mesmo, as polias dentadas de comando e do virabrequim.

Mesmo com a normatização, profissionais do segmento automotivo ainda discutem se há a necessidade de se trocar correias e tensores obrigatoriamente em conjunto. A alegação é que as determinações das montadoras, responsáveis por seus próprios motores, devem se sobrepor à norma – afinal, a norma citada não tem força de lei, portanto, ela seria uma “trilha” e não um “trilho”, embora seja assinada por uma parcela significativa de técnicos da indústria.

Quanto atingem o limite de uso, as correias continuam trabalhando normalmente, mas podem ser diagnosticadas visualmente através de indícios de rompimentos, rachaduras, marcas em seu costado ou nos dentes.
Os tensores, não. Exceto em casos claros de contaminação ou perda de lubrificação do rolamento, é quase impossível ao mecânico identificar problemas no componente antes de sua quebra ou perda de ação que possa comprometer o trabalho da correia.

 

SEMPRE TROQUE CORREIA E TENSOR JUNTOS. SE O CLIENTE NÃO ACEITAR O REPARO COMPLETO, PREFIRA RECUSAR O SERVIÇO

A leitura equivocada das recomendações de fabricantes, somadas à falta de vivência no chão da oficina e informações desencontradas de fontes diversas, induzem o cliente comum a entender que o termo “manutenção preventiva” significa apenas um meio de vender peças e serviços que ele não precisa.
Considerando que o profissional tenha experiência e formação adequadas, que o diagnóstico esteja correto, que a mão de obra siga as recomendações técnicas e as peças tenham procedência comprovada, a manutenção preventiva é garantia de qualidade e segurança no serviço, tanto para o cliente quanto para o mecânico.
Porém, existem reparos e reparos. Uma substituição de correia não é tão simples nem tão corriqueira quanto, por exemplo, uma troca de filtro de ar. E as consequências de intervenções incorretas em ambas são completamente diferentes a curto prazo. Por isso, na manutenção do sincronismo do motor, se o cliente não quiser fazer o serviço da forma que você, profissional, entenda como correta, mesmo após a devida argumentação, preserve-se: você tem a opção de simplesmente recusar o serviço.

Esta pode ser uma solução radical. Mas tenha em mente que o seu cliente é, por definição, leigo no assunto – mesmo que ele queira ter razão em uma questão técnica a qual ele não domina de fato.

Já, você, mecânico, é o especialista que detém o conhecimento sobre o reparo do veículo. Em caso de falha do sistema de sincronismo após um serviço “incompleto”, se isso se transformar em um processo levado à Justiça, a anuência do cliente por escrito – seja por assinatura no orçamento executado ou qualquer outra espécie de documento formal – pode não valer nada.

Se o juiz interpretar que você, mecânico, estava ciente das consequências da manutenção inadequada, mas a executou mesmo assim, não importará o que o seu cliente assinou ou deixou de assinar: você pode ser responsabilizado pelo prejuízo. Imagine se o problema levar não só à quebra do motor como também a um acidente com vítimas…

Pergunte a si mesmo: vale a pena sofrer tamanha dor de cabeça por uma simples troca de correia?

Por isso: prefira deixar de fazer o serviço do que se sujeitar a arcar com um enorme prejuízo – que, este sim, prejudicará muito mais você e a sua oficina do que a renda não obtida pela recusa do reparo.

 

Fonte: revista o mecânico